Pois é, tirei um tempo para me dedicar à esclerose já que ela começou a dar uma de carente para cima de mim. Para já, preciso de desabafar e desabafar muito. É certo que pensei que tudo isso seria pêra doce porque não sentia dores nem sintomas esquisitos nem nada no início, só tive aquele surto inicial mesmo para avisar que ela está presente, mas como não deu mais sinal de vida eu bem que fiquei em negação. E encarei tudo muito tranquilamente e me sentia normal como antes quando não sabia de nada, sentia até alguma satisfação em saber porque agora estaria mais atenta, e se algo acontecesse eu não ia desvalorizar e iria agir rápido, estava mais protegida do que ignorante. Por outro lado, pensava a toda a hora que infelizmente existiam pessoas com muitos mais problemas de saúde que eu ou mais graves que o meu. E que ainda assim era uma sortuda. Mas depois... Depois que os sintomas foram aparecendo eu fiquei assustadíssima, em pânico e com a ansiedade a mil. Esta fase imediamente se dissolveu com a seguinte que foi a irritabilidade, mau humor ou humor depressivo, e ainda a vontade de espancar alguém. Essa é a fase depressiva. Nesta fase um doente com EM não se culpabiliza, todo o médico faz questão de frisar quando comunica o diagnóstico, que é uma doença auto-imune sem agentes causadores especificamente conhecidos. Porém, a família, os amigos tendem sempre vir com aquele "eu avisei": não devias stressar tanto, não devias estudar tanto, não devias esforçar-te tanto, oi? Não importa que não seja nossa culpa, nem que fosse!, o que importa é ultrapassar isto. Quando soube a confirmação do diagnóstico, após um minuto em estado estático na cama do internamento, abracei quem estava ao meu lado (se não fosse quem foi seria certamente qualquer um que por ali passasse) tal era a minha necessidade de me apoiar em alguém e de demonstrar um pedido de ajuda. Nessa altura só pensava na solução para o problema, não me questionei nem nesse dia nem hoje "Porquê eu?", pergunta egoísta e redundante que para nada serve, nem eu nem ninguém devia padecer destas doenças. Agora eu não quero que a minha ansiedade cegue o meu estado de alerta só porque tenho m-e-d-o--- A próxima fase é esta em que estou a tentar entrar e a trabalhar, é a fase que espero que me proporcione o equilíbrio e a adaptação a tudo que tenho e que possa aparecer. Descobri que o saber que estou preparada é o mais importante para mim para combater esta luta.

Sem comentários:
Enviar um comentário